{"id":1985,"date":"2015-12-11T20:33:47","date_gmt":"2015-12-11T20:33:47","guid":{"rendered":"http:\/\/utc.inciti.org\/?p=1985"},"modified":"2016-01-14T20:31:17","modified_gmt":"2016-01-14T20:31:17","slug":"eixo-2-a-cidade-que-precisamos-e-bem-planejada-caminhavel-e-com-transito-agradavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/utc.instituto-inciti.org\/en\/2015\/12\/11\/eixo-2-a-cidade-que-precisamos-e-bem-planejada-caminhavel-e-com-transito-agradavel\/","title":{"rendered":"2. Bem planejada, caminh\u00e1vel e com tr\u00e2nsito agrad\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><b>Diagn\u00f3sticos:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Atualmente a sociedade vive a cultura do carro. As cidades, planejadas para estimular o uso deste meio de transporte individual, motorizado e poluidor, veem-se imersas num tr\u00e2nsito intenso e, aqueles que dependem de transporte coletivo, o t\u00eam sem qualidade e sujeitos a esse mesmo sistema ca\u00f3tico. Faltam pol\u00edticas eficazes de apoio ao transporte p\u00fablico e as novas tecnologias para mobilidade urbana ainda s\u00e3o restritas a poucos. As vias de circula\u00e7\u00e3o de pedestres, excepcionalmente, cal\u00e7adas, al\u00e9m de estreitas, em sua maioria, carecem de manuten\u00e7\u00e3o. Ainda, esses espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o quase sempre s\u00e3o desprovidos de arboriza\u00e7\u00e3o &#8211; elementos capazes de promover afetividades e generosidades urbanas. H\u00e1 precariedade nos programas de cria\u00e7\u00e3o de vias de modais n\u00e3o poluentes e tamb\u00e9m no incentivo do uso de modais n\u00e3o motorizados e transporte coletivo.<\/span><\/p>\n<p>Falta flexibiliza\u00e7\u00e3o nos hor\u00e1rios de trabalho para a popula\u00e7\u00e3o ativa e um excesso de centraliza\u00e7\u00e3o espacial das ofertas de empregos nos centros urbanos, o que gera os hor\u00e1rios de pico e uma sobrecarga no afluxo de pessoas, o que, invariavelmente, compromete a capacidade de circula\u00e7\u00e3o de pessoas nas cidades. Os territ\u00f3rios ficam segregados e dificultam o exerc\u00edcio do direto \u00e0 cidade. Nesses centros, as popula\u00e7\u00f5es de baixa renda s\u00f3 t\u00eam acesso \u00e0s \u00e1reas com infraestrutura para trabalhar. N\u00e3o se vive a cidade.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A m\u00eddia, em seu sentido amplo, cumpre em desempenhar o seu papel na dissemina\u00e7\u00e3o das \u201cfronteiras invis\u00edveis\u201d, atrav\u00e9s da ret\u00f3rica do medo e da exposi\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como espet\u00e1culo nos centros urbanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As pol\u00edticas p\u00fablicas desenvolvidas, sem solu\u00e7\u00e3o de continuidade e, portanto, sem vis\u00e3o de longo prazo, s\u00e3o pensadas para gest\u00f5es de quatro anos. Empreendidas para produzir resultados quando aproximam-se os per\u00edodos eleitorais. De um modo geral, h\u00e1 baixo n\u00edvel de transversalidade no planejamento urbano: as pol\u00edticas setoriais n\u00e3o dialogam entre si e s\u00e3o executadas de modo desvinculado umas das outras. As atividades de planejamento de cidade s\u00e3o insuficientes e feitas unilateralmente. Alguns modelos de planejamento, preestabelecidos, s\u00e3o usados intensivamente, embora desvinculados do territ\u00f3rio. O desenho das habita\u00e7\u00f5es, dos edif\u00edcios e das cidades seguem uma l\u00f3gica de quantidade e s\u00e3o pensados como meras estruturas f\u00edsicas e n\u00e3o como lugar para abrigar pessoas com suas culturas e necessidades pr\u00f3prias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o usadas como atendimento a t\u00f3picos\/metas preestabelecidas, ao inv\u00e9s de atentar para as reais necessidades das pessoas, em seus diferentes segmentos e faixas et\u00e1rias. H\u00e1 poucas oportunidades e canais para que as pessoas possam se expressar, dizer aquilo que necessitam. Observa-se m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o e baixo acesso de grande parte da popula\u00e7\u00e3o ao conhecimento do funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os e servi\u00e7os p\u00fablicos, reduzindo, assim, as oportunidades de express\u00e3o de suas necessidades.<\/span><\/p>\n<p><b>Recomenda\u00e7\u00f5es:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Utiliza\u00e7\u00e3o de tecnologias da informa\u00e7\u00e3o como est\u00edmulo ao uso de diferentes formas de transportes modais, de processos efetivamente participativos de planejamento urbano e planos setoriais em mobilidade urbana. Convoca\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o a pensar em como fazer para que hajam percursos inteligentes que possibilitem formas de compartilhamento de rotas e transporte, que mapeiem fluxos mais intensos e proponham novas rotas alternativas. \u00c9 necess\u00e1rio que se construam sistemas de transporte p\u00fablico que contemplem toda a regi\u00e3o metropolitana e tenham seus hor\u00e1rios rigidamente observados e disponibilizados, de forma acess\u00edvel, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m, \u00e9 importante que se incentive a implanta\u00e7\u00e3o de jornadas alternativas de trabalho ou \u201chome office\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As cal\u00e7adas precisam ser ampliadas &#8211; tornarem-se mais largas e passar a ter um programa de manuten\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica, a fim de que sejam mais acess\u00edveis. Faz-se necess\u00e1rio reduzir a largura das avenidas, estimular a intermodalidade entre trechos a p\u00e9, de bicicleta e de transporte coletivo. Deve-se priorizar, melhorar e incentivar o uso de transportes coletivos. \u00c9 importante que se regulamentem os hor\u00e1rios de tr\u00e1fego de caminh\u00f5es e aqueles de carga e descarga de mercadorias nos per\u00edmetros urbanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 preciso que sejam criados espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o p\u00fablica, de forma presencial e virtual, a fim de efetivar a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no planejamento urbano e na defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que atendam \u00e0 coletividade, com a participa\u00e7\u00e3o dos diversos setores da sociedade. \u00c9 importante que se desenvolvam metodologias que conciliem interesses de todos e que usem o di\u00e1logo como ferramenta chave na busca de solu\u00e7\u00f5es para problemas do transporte p\u00fablico nas cidades e no monitoramento de delibera\u00e7\u00f5es, em busca da efetiva\u00e7\u00e3o de pactos estabelecidos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O objetivo \u00e9 melhorar a intera\u00e7\u00e3o e a troca de experi\u00eancias entre as diferentes camadas e segmentos sociais que comp\u00f5em a popula\u00e7\u00e3o da cidade atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os comuns que ofere\u00e7am seguran\u00e7a e qualidade espacial. Uma maneira poss\u00edvel \u00e9 por meio da valoriza\u00e7\u00e3o das culturas e voca\u00e7\u00f5es locais &#8211; atra\u00e7\u00f5es descentralizadas e fortalecimento de centralidades interconectadas: cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de conviv\u00eancia m\u00faltipla.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por fim, \u00e9 necess\u00e1ria a democratiza\u00e7\u00e3o das m\u00eddias e infraestruturas, incentivando o uso de plataformas coletivas e abertas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diagn\u00f3sticos: Atualmente a sociedade vive a cultura do carro. As cidades, planejadas para estimular o uso deste meio de transporte individual, motorizado e poluidor, veem-se imersas num tr\u00e2nsito intenso e, aqueles que dependem de transporte coletivo, o t\u00eam sem qualidade e sujeitos a esse mesmo sistema ca\u00f3tico. 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