{"id":1996,"date":"2015-12-11T20:48:41","date_gmt":"2015-12-11T20:48:41","guid":{"rendered":"http:\/\/utc.inciti.org\/?p=1996"},"modified":"2016-01-14T21:27:23","modified_gmt":"2016-01-14T21:27:23","slug":"6-a-cidade-que-precisamos-e-segura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/utc.instituto-inciti.org\/en\/2015\/12\/11\/6-a-cidade-que-precisamos-e-segura\/","title":{"rendered":"6. Segura"},"content":{"rendered":"<p><b>Diagn\u00f3sticos:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As cidades s\u00e3o inseguras por n\u00e3o serem inclusivas. Os atuais modelos de seguran\u00e7a p\u00fablica mais difundidos s\u00e3o baseados em vigil\u00e2ncia, policiamento ostensivo, repress\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o social no espa\u00e7o p\u00fablico. O terror, o medo e a viol\u00eancia s\u00e3o propagados de forma distorcida nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, alimentando preconceitos sociais e culturais. A ideia de viol\u00eancia \u00e9 usada para vender servi\u00e7os e produtos de seguran\u00e7a privado. O conceito de seguran\u00e7a usado no senso comum aponta apenas para os artefatos de controle e monitoramento, como c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia e catracas de acesso controlado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A sensa\u00e7\u00e3o e a condi\u00e7\u00e3o efetiva de inseguran\u00e7a nos espa\u00e7os p\u00fablicos resulta tamb\u00e9m da separa\u00e7\u00e3o excessiva em rela\u00e7\u00e3o aos espa\u00e7os privados, al\u00e9m da precariedade de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e da abund\u00e2ncia de espa\u00e7os vazios ou subutilizados existente no contexto de muitas cidades. No \u00e2mbito privado, vende-se sistemas de seguran\u00e7a que buscam afastar as pessoas do espa\u00e7o p\u00fablico, adotando a l\u00f3gica da vida em condom\u00ednios privados de acesso restrito, com uso intensivo de transporte individual em detrimento ao coletivo, e a contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os particulares de seguran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A prioriza\u00e7\u00e3o excessiva do carro no desenho e constru\u00e7\u00e3o das vias urbanas tem favorecido o uso de altas velocidades (de pico) pelos ve\u00edculos privados, que podem at\u00e9 causar uma sensa\u00e7\u00e3o de mobilidade eficiente, mas resultam em riscos graves para todos. As vias tem sido projetadas quase exclusivamente para ve\u00edculos motorizados, sem considerar a demanda crescente para uso de modais n\u00e3o motorizados ou mesmo a circula\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia de pedestres no espa\u00e7o p\u00fablico. Faz-se necess\u00e1rio compartilhar e conciliar os diversos modais de transporte no espa\u00e7o p\u00fablico no sentido de pacificar a rela\u00e7\u00e3o entre os diferentes sistemas de mobilidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A viol\u00eancia urbana praticada no Brasil tem origens na cultura escravocrata (racista) que foi incorporada \u00e0 vida nas cidades. Neste contexto, manifesta\u00e7\u00f5es populares s\u00e3o tratadas de forma truculenta e violenta pelos agentes do Estado. A pol\u00edcia brasileira tem \u00edndices de letalidade alt\u00edssimos, cometendo mais de 55 mil homic\u00eddios por ano, sendo que a diferen\u00e7a de mortes entre brancos e negros (taxa de iniquidade) chega at\u00e9 1700%, o que demonstra claramente a cultura racista que est\u00e1 institucionalizada (Fonte: <\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">www.http:\/\/www.mapadaviolencia.org.br\/pdf2015\/mapaViolencia2015.pdfr<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Car\u00eancia de a\u00e7\u00f5es policiais protetivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. Diversas formas de viol\u00eancia com grupos sociais, motivadas por preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o identificadas, nem consideradas como abusivas. Este comportamento, baseado na abordagem intimidadora, \u00e9 comum por parte da pol\u00edcia em rela\u00e7\u00e3o a determinados grupos sociais. Al\u00e9m disto, o policiamento n\u00e3o est\u00e1 distribu\u00eddo de maneira uniforme pelo territ\u00f3rio urbano, al\u00e9m de atuar de modo muito diferente em fun\u00e7\u00e3o do perfil s\u00f3cioecon\u00f4mico de cada localidade. Tamb\u00e9m \u00e9 muito grave o baixo n\u00edvel de registro oficial (subnotifica\u00e7\u00f5es) de muitos tipos de crimes, por diversos motivos, entre eles: medo da pol\u00edcia, descren\u00e7a no sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica, omiss\u00e3o por parte de profissionais de seguran\u00e7a e da \u00e1rea de sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><b>Recomenda\u00e7\u00f5es:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Debater amplamente e revisar o papel da m\u00eddia na constru\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o do medo, do racismo e da discrimina\u00e7\u00e3o relacionados com a seguran\u00e7a p\u00fablica. Esta revis\u00e3o deve resultar em marcos regulat\u00f3rios sobre o poder de distribui\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado midi\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fomentar a cultura de paz (por meio de diferentes equipamentos &#8211; sociais, culturais, esportivos &#8211; pol\u00edticas, canais de m\u00eddia, ensino escolar, etc), no sentido de promover o di\u00e1logo e o respeito entre diferentes segmentos sociais e culturais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Revisar o papel dos par\u00e2metros urban\u00edsticos como indutores para redu\u00e7\u00e3o de barreiras entre os espa\u00e7os p\u00fablicos e privados, favorecer a permeabilidade entre a rua e as edifica\u00e7\u00f5es. Reduzir a velocidade m\u00e1xima nas vias de autom\u00f3veis para minimizar acidentes, para melhorar o fluxo coletivo e pacificar a rela\u00e7\u00e3o entre ve\u00edculos e pedestres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desenvolver uma cultura de concilia\u00e7\u00e3o e respeito aos diferentes tipos de transporte. Uma possibilidade \u00e9 atrav\u00e9s da implanta\u00e7\u00e3o de projetos de vias urbanas que n\u00e3o sejam baseados na separa\u00e7\u00e3o absoluta entre os modos de transportes \u2013 carros, bicicletas, pedestres e \u00f4nibus. Este tipo de solu\u00e7\u00e3o estimula a cultura de deslocamentos individuais em altas velocidades, que por sua vez favorecem acidentes e viol\u00eancia no tr\u00e2nsito. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Melhorar a acessibilidade dos espa\u00e7os p\u00fablicos, estimulando a recupera\u00e7\u00e3o de pavimentos e a elimina\u00e7\u00e3o de barreiras arquitet\u00f4nicas por meio de incentivos fiscais para os im\u00f3veis. Estimular o uso e a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos com eventos para resgatar as oportunidades de encontro e as culturas locais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Informar e sensibilizar a sociedade em rela\u00e7\u00e3o ao homic\u00eddios cometidos pelo Estado, para promover a desmilitariza\u00e7\u00e3o do policiamento voltado aos civis. Reestruturar os processos de forma\u00e7\u00e3o e treinamento dos policiais, com inclus\u00e3o de normas para tratamento digno de manifesta\u00e7\u00f5es populares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Revisar os m\u00e9todos e procedimentos utilizados para notificar diferentes tipos de crimes, como homic\u00eddios e suic\u00eddios, evitando a subnotifica\u00e7\u00e3o e a distor\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas a respeito da viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diagn\u00f3sticos: As cidades s\u00e3o inseguras por n\u00e3o serem inclusivas. Os atuais modelos de seguran\u00e7a p\u00fablica mais difundidos s\u00e3o baseados em vigil\u00e2ncia, policiamento ostensivo, repress\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o social no espa\u00e7o p\u00fablico. O terror, o medo e a viol\u00eancia s\u00e3o propagados de forma distorcida nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, alimentando preconceitos sociais e culturais. 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